terça-feira, 4 de outubro de 2016

Pra você, o que é o amor?


A união conjugal ocidental é uma instituição em constante evolução. Inicialmente não havia que se falar em sentimentos. Casamento era um acordo entre famílias ou até tribos e reinos e servia basicamente para ajustar poder e negócios. A mulher servia para cuidar da casa e dos filhos até virar matriarca e tratar de arranjar bons casamentos para os seus. Por outro lado era indissolúvel e ninguém reclamava.

O amor já foi considerado fraqueza, doença, motivo de piada e de tragédias. Só muito recentemente (a partir dos anos 50 mais precisamente) o amor começou a ser levado a sério nas relações interpessoais como conhecemos hoje.

O amor romântico (ou amor cortês) foi descoberto (ou inventado?) na idade média, quando os homens passaram a demonstrar afeto e carinho ou as vezes até submissão as suas amadas. Os romances mais antigos e as primeiras histórias de amor arrebatador datam do século XII. 

A partir do século XIX o casamento por amor passou a ser uma possibilidade e a partir do século seguinte uma prática. Com a pílula anticoncepcional a mulher deu seu grande salto comportamental. Deixou de ser uma reprodutora para ser uma pessoa humana (redundância jurídica que ilustra bem o upgrade).

Podendo escolher fazer sexo sem reproduzir, a busca do prazer feminino abriu uma infinidade de possibilidades para as mulheres, inclusive a de ser feliz. A união conjugal, até então base da sociedade, derreteu.

A nossa história até aqui ignora propositalmente diversos aspectos do amor histórico (como a exaltação do amor homossexual, os múltiplos parceiros em algumas culturas e a liberdade conjugal dos romanos) por que senão precisaríamos escrever um livro. 

Chegamos até aqui para inserir um personagem novo (será mesmo novo?) na história. A química entre as pessoas. existe por aí um punhado de pseudo especialistas em relacionamentos que esquadrinham a tal química de cada forma estapafúrdia que dá a entender que entendem bulhufas de relacionamentos. É fácil ler que trata-se de um conjunto de qualidades ou habilidades ou afinidades que causam admiração no outro. por esta linha de raciocínio, os antigos é que estavam certos. o amor é uma ciência que se pode adquirir, manter e aperfeiçoar.

Na verdade é bem o contrário. A ciência já provou que a essência do amor nada mais é que um conjunto de reações químicas afinadas e alinhadas para prender você ao ser amado. A ocitocina (ou oxitocina) age criando empatia gratuita, a dopamina te faz querer mais e a norepinefrina traz alegria ao conjunto. Como nada para humanos pode ser assim tão simples e eficaz, os demais ingredientes do amor são periféricos e assessórios, mas não menos importantes. estamos falando da cultura, do caráter, dos hábitos e costumes. Esta parte do pacote é responsável pelo lado consciente do relacionamento amoroso (daí tantos especialistas se confundirem).

No mundo ideal seu par perfeito tem toda a química e age exatamente como você espera em todas as situações da vida, sem falar que exala jasmim quando vai ao banheiro. Isto, obviamente não existe.

Na vida real é extremamente raro encontrar a plenitude nos relacionamentos. O que mais nos aproxima disto é quando a química se impõe de tal maneira, que interfere no lado consciente, fazendo a gente agir de uma forma prioritária em prol do outro. Isto nem sempre evita dissabores e desentendimentos, mas sempre ajuda a não deixar que o lado negativo se torne maior e inviabilize tudo o que a natureza moveu para lhe propiciar a tão apreciada química do amor.

Com o passar do tempo o lado consciente do amor tende a ir matando a química (outro motivo para a confusão de nossos bravos especialistas) se prevalecer alguns traços de caráter como a competitividade inata do ser humano (também conhecido como egoísmo).

Um vídeo que circula nas redes sociais (na verdade um viral de uma empresa) explica sem palavras o que é de fato o amor. nele um garotinho vai para o ponto de ônibus abraçado a uma boneca e vira chacota de um grupo de garotos da mesma idade. depois ele aparece com uma mala, cujo desleixo ou pressa na arrumação deixou para fora uma peça de balet, que lhe custou uma boa zombaria. Ele não se abalou e seguiu viagem sorridente com o que lhe esperava. sua pequena amada estava internada com um pé quebrado. Eram dela os objetos que ele tirou da mala com seu sorriso enorme, quase do tamanho do hematoma abaixo do olho, de tão grande. O filme da um salto no tempo e o casal de jovens adultos se encontra numa apresentação importante com a frase 

"Para você tudo é permitido, ainda mais hoje..."

Eles ainda podem se separar e se matar e se odiar ou sei lá o que, mas o amor é só isso mesmo. Parece pouco pra você?



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