![]() |
| Anuncio de pastor milagroso em imagem da internet |
O Brasil é um país laico com liberdade religiosa irrestrita. Isto em tese é formidável. Na prática abre brechas para o surgimento de religiões e religiosos charlatões interessados em lucrar com a boa fé alheia.
Numa ponta estão os videntes e "resolvedores" de problemas de qualquer natureza por meio das plataformas das religiões de matizes indígenas e africanas que fazem "amarração pro amor", descobrem, fazem e desfazem "macumba para ajudar ou atrapalhar a vida alheia. tudo a um custo nada camarada.
Na outra ponta estão os "pastores" e "missionários" milagreiros que são portadores de uma história fantástica e curam as doenças do corpo e da alma de qualquer um que tenha algum dinheiro disponível para investir na empreitada de fé.
No meio disto estão as pessoas que buscam conforto para a travessia da vida e para enfrentar o dia-a-dia.
Geralmente as "vítimas" dos religiosos bandidos são as pessoas mais fragilizadas ou mais humildes, cuja capacidade de discernimento é comprometida por circunstâncias temporárias ou permanentes da vida.
No mundo ideal as igrejas seriam as pessoas, os templos se resumiriam a locais de comunhão e congregação e os líderes religiosos se limitariam ao papel de tutores do desenvolvimento espiritual dos fiéis.
Leia aqui o artigo Sabotage, a farsa de Guina e o unicórnio invisível na garagem.
Tempos atrás surgiu nas igrejas da periferia de São Paulo um missionário atípico. Vestia-se, expressava-se e portava-se como um marginal. E tinha sua história fantástica para contar.
Guina, se dizia ex integrante do maior grupo de rap nacional, os Racionais MC's e contava uma trajetória digna de roteiro de filmes de Silvester Stallone com o adicional da improvável e milagrosa intervenção divina.
Seu relato inclui assassinatos cometidos e sofrido (sim, ele morreu e foi ressuscitado), uso de drogas, intenso envolvimento com a criminalidade, dinheiro, fama e sucesso e a redenção que lhe tirou da morte tão familiar a seu público alvo para pregar a palavra do senhor.
As igrejas, em sua maioria pequenas denominações dos bairros mais carentes, bancavam a viagem e estadia, contribuíam como podiam para a obra de Guina e os fiéis, além da costumeira oferta missionária comprava um DVD com a mesmíssima história.
A história não tinha pé, nem cabeça, nem comprovação, nem base bíblica, mas de tão fantástica lotava igrejas. Com o passar do tempo a historia se espalhou pelo país, inicialmente para deleite do missionário que enchia as burras de dinheiro e viajava de norte a sul as custas da fé incauta. Mas, bastou ganhar notoriedade para ser desmentida de pronto por todos os citados no depoimento, levando Guina ao ostracismo.
Como nossa legislação é permissiva demais com o charlatanismo, nosso falso profeta sequer foi a uma delegacia esclarecer as coisas e ainda suscita discussões vez ou outra por aí. Este caso ficou famoso por ter ganho uma proporção que fugiu do controle do criador e foi esclarecido por não ter sido tomado o mínimo cuidado com as falacias utilizadas, recorrendo a pessoas extremamente conhecidas (além dos racionais o pastor/deputado Marco Feliciano e o grupo gospel oficina G3) que deixaram o "escolhido" sem amparo.
Existem por aí inúmeros outros aproveitadores em escala menor ou que tomam mais cuidado ao criarem suas fábulas ficando mais protegidos do vexame de Guina. Antes de dar seu crédito a histórias fantásticas, convém dar uma pesquisada. Se Deus tudo pode, o homem tudo quer.

0 comentários:
Postar um comentário