quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Patrício, o menino invisível de Santo Amaro.

Periferia de Sto Amaro em imagem da internet

Santo Amaro da Purificação é uma cidadezinha próximo a Salvador na Bahia. Por suas históricas e quentes ruas Patrício, sem ser visto por ninguém, cresceu. Expectativas, não criava e não sabia o que era. De pai incerto, sua mãe balzaquiana lhe mantinha como podia, as vezes como queria. Jairo, um molecote qualquer sem eira nem beira, caiu nas graças da mulher.

Sem muito gostar Patrício via Jairo fazer uso de drogas sem cerimonia e depois de fazer isso ainda fazia "uso" de sua mãe, como se Patrício não estivesse ali.

Nada havia de especial ou fácil na vida de Patrício. Seu tio perneta visitava a família de vez em quando. Numa destas visitas Jairo chegou de repente. Não gostou nada do que viu. Sacou da peixeira que portava, talvez sobre o efeito da droga, deu cabo da vida da mulher bem ali, como se Patrício sequer existisse de verdade e olha que já contava 12 anos de vida o menino.

A vida de Patrício não piorou tanto. sua invisibilidade só saiu de dentro de casa e ganhou as ruas. A danada da saudade é que teimava em apertar ainda assim. Mãe é mãe.

Dia destes Patrício que nem era assim tão invisível quanto pensava foi pego furtando um notebook. A ronda deu em cima dele e botou o menino para ser invisível lá na cadeia de Feira (de Santana). Já era de maior o bitelo, 21 anos no couro. Era bom passar uns dias guardado para ver se aprendia alguma coisa da vida.

A Bahia é grande mas o mundo é pequeno. Enquanto se ajeitava na cela Patrício viu um filme em sua cabeça. Jairo, estava ali na sua frente, só os dois, homens agora. Sem ver de onde tirou forças, Patrício arrancou uma das barras da cela,o ódio fervendo em suas veias.
-Tá me vendo aqui não, sinhô? Mais qual, Jairo ia se lembrar o que. 
"Pois eu me lembro como se fosse hoje. Nunca me deu nada de bom esse aí. só desgraça... Dei umas oito furadas nele em memória de mainha".

A estadia de Patrício por lá mudou de encomenda. De uns dias para esfriar a cabeça (a pena privativa de liberdade por furto não costuma resistir até o julgamento), para 10 ou 15 anos por homicídio. Se alguém lhe enxergar na fila do julgamento e após o cumprimento da pena, pode ser que daqui uns 20 anos Patrício volte a ser invisível nas ruas de Santo Amaro.

Baseado em fatos reais - A verdadeira história de Patrício foi publicada no Jornal A tarde em 04/10/2016.

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